O aviso SICE – Inovação Produtiva (MPR-2026-6), com uma dotação global de 182,5 milhões de euros, encerrou a 30 de setembro de 2026. Neste guia explicamos o que financiava, as taxas de apoio reais, a quem se destinava e como preparar uma candidatura sólida para o próximo aviso.
Aviso encerrado a 30 de setembro de 2026. Este artigo mantém-se como guia para quem prepara a próxima candidatura. Consulte o aviso oficial MPR-2026-6 e acompanhe novos avisos no Portugal 2030 e no IAPMEI.
O que é o SICE – Inovação Produtiva?
O SICE (Sistema de Incentivos à Competitividade Empresarial) – Inovação Produtiva é uma medida de apoio público, integrada no Portugal 2030, que financia projetos de investimento produtivo em PMEs. O foco está em projetos com carácter estruturante: criação de nova capacidade produtiva, modernização de unidades existentes ou expansão para novos mercados.
O aviso MPR-2026-6, publicado a 15 de junho de 2026, tinha uma lógica de mérito: o apoio não era garantido pela simples elegibilidade, mas valorizava a qualidade e a robustez do projeto. Quanto mais bem preparada a candidatura, maior o potencial de financiamento.
Quem pode candidatar-se?
A medida destinava-se a Pequenas e Médias Empresas (PME) com contabilidade organizada e atividade em setores elegíveis. O aviso cobria o território continental, incluindo as regiões Norte, Centro, Lisboa, Alentejo e Algarve.
Os projetos tinham de ter despesa elegível entre 300.000€ e 25 milhões de euros, o que significa que esta linha se dirigia a empresas com projetos de alguma dimensão: não ao investimento pontual de equipamento, mas a operações de transformação real da capacidade instalada.
Quanto vale o apoio? As taxas reais
A taxa de apoio dependia da localização do projeto, da dimensão da empresa e de majorções. No aviso de 2026, os máximos eram: em territórios de baixa densidade, até 50% para micro e pequenas empresas e até 40% para médias; nos restantes territórios, até 30% e 25%, respetivamente. O Alto Alentejo e as Beiras e Serra da Estrela tinham limites mais altos (até 60% para micro e pequenas e 50% para médias). O valor final resultava de uma taxa base mais majorções (por exemplo, 5 p.p. por contributo para a transição climática, 2% a 5% pela criação de emprego qualificado e 5 p.p. pela capitalização da PME), sempre até ao limite aplicável. Na prática, o "até 60%" muitas vezes citado só se aplicava a casos específicos: para um projeto de 1 milhão de euros de despesa elegível, uma média empresa em território de baixa densidade podia contar, no máximo, com 400.000€.
O que é elegível?
As despesas elegíveis cobrem as principais componentes de um projeto de modernização industrial. Entre as mais relevantes para as PMEs da região Norte e Centro estão:
- Ativos fixos tangíveis — máquinas, equipamentos e obras de construção em setores elegíveis.
- Ativos intangíveis — software, licenças, propriedade intelectual e direitos de patente, o que abre a porta a projetos com forte componente tecnológica e digital.
- Transição digital e climática — componentes que o aviso valorizava, alinhadas com as prioridades do Portugal 2030 e do Pacto Verde Europeu.
Para empresas que estejam a planear investir em sistemas de gestão industrial, automação de processos ou digitalização da operação, este é um ângulo relevante: o aviso previa critérios ligados à transição digital na avaliação do mérito.
Como preparar uma candidatura sólida?
O processo de candidatura ao SICE é exigente. A instrução do dossier implica uma análise financeira do promotor, a definição rigorosa do plano de investimento, a demonstração do mérito intrínseco do projeto (em termos de impacto económico, criação de emprego, inovação e sustentabilidade) e o enquadramento nas prioridades do aviso.
Há três erros comuns que comprometem candidaturas que, em termos de projeto, seriam aprovadas:
- O primeiro é subavaliar o investimento elegível — por desconhecimento de que determinadas componentes (como o software ou a propriedade intelectual) são financiáveis.
- O segundo é preparar o dossier tarde demais. Os prazos de candidatura costumam parecer folgados, mas projetos de investimento exigem estudos de viabilidade, plantas, orçamentos e documentação financeira que demoram semanas a consolidar.
- O terceiro é não distinguir o que o aviso valoriza e perder pontuação em critérios que eram alcançáveis com a redação correta dos objetivos do projeto.
Tecnologia como fator de mérito
Num contexto em que o aviso valorizava a transição digital, projetos que integrem automação, análise de dados industrial ou sistemas de gestão inteligente têm uma vantagem na pontuação.
Na TecLab, temos acompanhado PMEs industriais do Norte de Portugal na definição da componente tecnológica de projetos de investimento ,desde a especificação das soluções a integrar, até ao suporte na descrição técnica para dossiers de candidatura. A tecnologia certa, bem enquadrada, pode ser o fator que diferencia uma candidatura aprovada de uma que fica aquém do limiar de mérito.
Próximos passos
Se a sua empresa tem um projeto de investimento em preparação, ou se os seus clientes estão nessa situação, este é o momento para fazer uma análise prévia de enquadramento. Avaliar se o projeto é elegível, estimar o potencial de apoio e identificar os pontos a reforçar na candidatura não obriga a qualquer compromisso, mas pode fazer uma diferença significativa no resultado.
O aviso encerrou a 30 de setembro de 2026. Se tem um projeto em preparação, comece já a reunir estudos de viabilidade, orçamentos e documentação, para estar pronto caso seja aberto um novo aviso.
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